texto: Susana Rito (adaptado)
E à hora combinada lá nos esperava a Dona Natália no cimo do 5º andar com as suas duas canadianas, que a ajudam a aceder ao rés do chão.
A Dona Natália, que nasceu no mesmo ano em que Nossa Senhora apareceu em Fátima, como ela gosta de referir, tem cada vez mais dificuldade em sair de casa. Para ir ao banco levantar a sua pensão é uma verdadeira aventura, pelo que tem pedido ajuda ao MPMV para a acompanhar na deslocação. Desta forma a voluntária que visita semanalmente a idosa através do MPMV e a técnica auxiliaram a descida interminável até à rua. Uma vez na rua, até a expressão da idosa muda, ao sentir o vento passar-lhe pela cara, ao ouvir o barulho de conversas e ao ver pessoas a passear de um lado para o outro… é a “sorte” de morar na Baixa, local de muito turismo. Tudo isto porque em casa o único barulho que ouve é o da rádio e de algumas pessoas que a visitam com regularidade.
Passo a passo, a Dona Natália vai caminhando dizendo “Olá” a cada loja que passa, pois os comerciantes passaram a ser os seus amigos habituais. A meio do percurso fazemos uma pequena pausa junto da paragem do eléctrico, para a Dona Natália descansar um pouco e poder observar a beleza da Praça da Figueira e os vários sotaques que por ali passam. Sentada, recorda os vários passeios que antigamente dava por Lisboa ainda sem as suas amigas canadianas. Apanhava o eléctrico e lá ia ela a explorar a nossa capital.





