Desde Outubro o MPMV tem sido pródigo na recolha de informação sobre a experiência do Estado Novo e do 25 de Abril vivida pelos idosos que apoia, potenciada pelos grupos de encontro temáticos orientados pela Dr.ª Maria João, psicóloga do MPMV. Hoje e amanhã haverão novas sessões de grupos de encontro, que costumam reunir cerca de 18 idosos para uma discussão saudável das vantagens e desvantagens e para partilha de histórias.
Novembro foi o mês das profissões. A Dr.ª Maria João criou uns cartões com o nome de várias profissões extintas ou em vias de extinção, meros avivadores de memória, uma vez que os idosos rapidamente se envolveram no tema e fizeram fluir a troca de histórias. «As pessoas relembraram com muito carinho o tempo em que o ardina corria pelas ruas, o tempo em que a leiteira andava de porta em porta a vendar o seu leite, o tempo em que o limpa-chaminés deixava as casas todas sujas cada vez que trabalhava. Ficaram nostálgicos ao pensar que profissões como barbeiro ou sapateiro não tarda não existem. Recordaram a telefonista e riram-se ao comparar com os tempos modernos. Houve quem dissesse que aquela sessão os fez voltar à infância», conta a Dr.ª Maria João.
Em Dezembro o tema adensou-se. Direitos e liberdades adquiridos após o 25 de Abril estiveram na ordem do dia e as opiniões divergiram. Se, por um lado, a liberdade de expressão foi rapidamente identificada como uma mudança positiva, por outros os idosos manifestaram desagrado perante o que consideram um grande descontrolo da liberdade, que resulta em falta de ordem e de respeito e de contenção. Outros aspectos positivos identificados pelos idosos com o pós-25 de Abril foram o direito à reforma, a instituição do salário mínimo nacional, o direito à liberdade sindical, o direito ao voto e às férias. «Dizem que se abusou dos subsídios, por exemplo o de desemprego, que as pessoas não tinham noção do futuro, agiram apenas de acordo com o presente. As mulheres riram-se dos atuais direitos relacionado com a maternidade e contaram as suas histórias em que nenhum desses direitos é alguma vez relatado. Por fim, falaram, mas com algum desagrado, do direito à greve e às manifestações. Dizem que antes as greves prejudicavam os patrões e que agora prejudicam o povo», acrescenta a Dr.ª Maria João.
Janeiro será mês das personalidades do Estado Novo e do 25 de Abril e a expectativa é elevada.






